
Idade avançada e menopausa
SAÚDE ÓSSEA E DOENÇAS INFLAMATÓRIAS
A saúde dos ossos também merece atenção
Quando se fala em espondiloartrites, é comum pensar primeiro em dor, coluna e articulações. Mas existe outro aspecto que também precisa fazer parte do cuidado: a saúde dos ossos.
A inflamação persistente, a redução da mobilidade e alguns medicamentos podem contribuir para a perda de massa óssea ao longo do tempo. E há um detalhe importante: isso pode acontecer sem provocar sintomas.
Por isso, compreender a osteoporose e reconhecer os fatores que aumentam o risco de fraturas também faz parte do cuidado de quem vive com uma espondiloartrite.
Entenda a relação entre as doenças
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Por Murillo Dório
Reumatologista Assistente do Ambulatório de Espondiloartrites do Hospital das Clínicas da USP. Membro da Comissão de Artrite Psoriásica da Sociedade Brasileira de Reumatologia. Doutorado e Pós-Doutorado pela Faculdade de Medicina da USP.

CONHECER PARA PREVENIR
O que é osteoporose?
O osso é um tecido vivo e está em constante renovação.
Ao longo da vida, parte do tecido ósseo antigo é removida e substituída por tecido novo, em um processo chamado remodelação óssea.
Quando a retirada de osso supera sua formação por muito tempo, ocorre perda de massa e resistência.
A osteoporose é uma doença do esqueleto na qual os ossos apresentam menos massa e uma estrutura interna enfraquecida. Com isso, tornam-se mais suscetíveis a fraturas.

Na osteoporose, a estrutura interna dos ossos fica mais frágil, aumentando a possibilidade de fraturas.
Osteopenia e osteoporose são a mesma coisa?
Não. As duas condições estão relacionadas à redução da densidade óssea, mas apresentam características diferentes.
Entenda a diferença!
A osteopenia, também chamada de baixa massa óssea, corresponde a uma redução moderada da densidade. Não é considerada uma doença em si, mas indica que a saúde dos ossos merece atenção.

O que é uma fratura por fragilidade?
É uma fratura provocada por um trauma pequeno, que normalmente não seria suficiente para quebrar um osso saudável, como uma queda da própria altura ou até determinados movimentos do cotidiano.
As vértebras da coluna, o quadril e o punho estão entre os locais mais comuns.
Quem já sofreu uma fratura por fragilidade apresenta maior risco de ter outra. Por isso, esse tipo de ocorrência deve ser considerado um sinal de alerta para investigar a saúde óssea.
Saiba mais

Por que a osteoporose é considerada uma doença silenciosa?
Porque, em geral, a osteoporose não dói e não provoca sintomas antes que aconteça uma fratura.
Até mesmo algumas fraturas vertebrais podem passar despercebidas. Perda de altura e mudanças na postura podem ser pistas que merecem investigação.
Também é importante não atribuir automaticamente dores musculares ou articulares à osteoporose. Em pessoas com espondiloartrites, essas dores podem ter outras causas e precisam ser avaliadas pela equipe de saúde.
Não sentir dor, não significa necessariamente que os ossos estejam saudáveis.
Dr. Murillo Dório
COMPREENDENDO ESSA CONEXÃO
Qual é a relação entre osteoporose e espondiloartrites?
Nas doenças inflamatórias, diferentes fatores podem atuar ao mesmo tempo.
A inflamação persistente pode interferir no equilíbrio entre formação e perda de tecido ósseo.
Dor e rigidez também podem levar a uma redução do movimento. Com menos atividade, o osso recebe menos estímulo mecânico para sua renovação.
Perda de massa e força muscular, uso prolongado de corticoides em determinados casos e doença inflamatória intestinal associada também podem contribuir para o risco.
Espondiloartrite axial
Na espondiloartrite axial, a osteoporose é uma complicação reconhecida e pode aparecer precocemente, inclusive em homens jovens, um grupo que normalmente não seria lembrado quando se fala em osteoporose.
Estudos citados no capítulo do Guia INAPE encontraram osteoporose em aproximadamente 12% a 34% das pessoas com espondiloartrite axial avaliadas, com variação conforme a população e o método utilizado.
Em um grande estudo internacional com quase quatro mil pessoas com espondiloartrites, a osteoporose foi a comorbidade mais comum, identificada em 13% dos participantes.
Destaque científico
12% a 34%
Um paradoxo importante!
Na espondiloartrite axial, pode ocorrer algo que parece contraditório.
Enquanto pode haver formação de osso novo nas bordas das vértebras, formando os chamados sindesmófitos, o interior dessas mesmas vértebras pode estar perdendo massa óssea.

Na espondiloartrite axial, a formação de osso novo nas bordas das vértebras pode coexistir com perda de massa óssea no interior.
Mais osso na coluna não significa necessariamente uma coluna mais forte.
Dr. Murillo Dório
Quando várias vértebras se unem, a coluna também perde parte de sua flexibilidade para absorver impactos.
Em pessoas com alterações estruturais importantes, isso pode aumentar a vulnerabilidade a fraturas após traumas relativamente pequenos.
E na artrite psoriásica?
A relação entre artrite psoriásica e osteoporose é menos clara.
Os estudos apresentam resultados diferentes e o risco parece variar bastante entre as pessoas. Por isso, a avaliação deve ser individualizada.
De maneira geral, a avaliação da saúde óssea segue os critérios utilizados para a população geral, com atenção adicional a situações como doença muito ativa, acometimento de muitas articulações, uso prolongado de determinados medicamentos e outros fatores individuais de risco.

Quer entender melhor como as espondiloartrites podem afetar a estrutura dos ossos?
No Guia INAPE, você encontra explicações detalhadas sobre inflamação, formação de osso novo, fragilidade óssea e os cuidados específicos relacionados às diferentes manifestações das espondiloartrites.
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IDENTIFICAR OS RISCOS FAZ PARTE DO CUIDADO
Quem merece maior atenção à saúde dos ossos?
Alguns fatores podem aumentar o risco de fragilidade óssea.

Idade avançada e menopausa

Histórico familiar de fratura de quadril

Fratura anterior por fragilidade

Uso prolongado de corticoides

Baixo peso ou alimentação insuficiente

Algumas outras doenças que interferem no metabolismo ou na absorção de nutrientes

Consumo excessivo de álcool

Pouca atividade física

Tabagismo
FATORES RELACIONADOS ÀS ESPONDILOARTRITES:
Esses fatores precisam ser considerados em conjunto com a história clínica e as características individuais de cada pessoa.
A avaliação não depende de apenas um número.
O diagnóstico combina história clínica e densitometria óssea, considerando idade, presença de fraturas anteriores, medicamentos utilizados e outras condições de saúde.
A densitometria é um exame rápido e indolor que utiliza uma dose muito baixa de raios X para medir a densidade mineral óssea.
Coluna lombar e quadril estão entre as regiões mais avaliadas.
Em pessoas que apresentam sindesmófitos ou fusão da coluna, o osso formado nas bordas das vértebras pode entrar na área medida pelo aparelho e fazer com que o resultado da coluna pareça normal ou até elevado, mesmo quando existe fragilidade no interior da vértebra.
Isso não torna a densitometria inútil, mas significa que sua interpretação precisa considerar as particularidades da espondiloartrite axial, juntamente com a história clínica, fraturas anteriores, alterações estruturais e risco de quedas.

Você sabia que a densitometria pode exigir uma interpretação especial em pessoas com espondiloartrite axial?
Entenda como as alterações da coluna podem interferir nos resultados dos exames e conheça as particularidades da avaliação da saúde óssea no Guia INAPE.
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CUIDADOS QUE FAZEM A DIFERENÇA
Como cuidar da saúde dos ossos?
Não existe uma única medida capaz de proteger o esqueleto. Diferentes cuidados atuam em conjunto.

MOVIMENTE-SE
Atividade física adaptada, fortalecimento muscular, exercícios de equilíbrio e postura ajudam na saúde óssea e na prevenção de quedas.


CUIDE DA ALIMENTAÇÃO
Cálcio, proteínas e uma alimentação adequada ajudam na manutenção dos ossos e músculos.
AVALIE A VITAMINA D
A necessidade de dosagem ou reposição deve ser discutida com a equipe de saúde.


PREVINA QUEDAS
Boa iluminação, ambientes livres de obstáculos, cuidado com a visão e revisão de medicamentos que provocam sono ou tontura podem fazer diferença.
EVITE O CIGARRO E O CONSUMO EXCESSIVO DE ÁLCOOL
Esses hábitos podem prejudicar a saúde óssea e aumentar o risco de quedas e fraturas


MANTENHA A DOENÇA INFLAMATÓRIA CONTROLADA
Controlar a inflamação também contribui para proteger os ossos, reduzir a dor e facilitar o movimento.
Suplementos merecem orientação. Cálcio e vitamina D não devem ser utilizados indiscriminadamente. Quantidades excessivas não oferecem benefício adicional e podem provocar problemas. A necessidade de suplementação deve ser avaliada individualmente.
Dr. Murillo Dório
Osteoporose tem tratamento?
Sim.
Quando o risco de fratura é elevado, além dos cuidados gerais, podem ser indicados medicamentos específicos capazes de reduzir o risco de novas fraturas.
Existem medicamentos que diminuem a perda óssea e outros que estimulam a formação de osso.
A escolha depende do risco de fratura, histórico de fraturas, densitometria, outras condições de saúde, preferências da pessoa e acesso ao tratamento.
O tratamento deve ser acompanhado e não deve ser interrompido ou modificado por conta própria.
Tratar a espondiloartrite não substitui tratar a osteoporose.
O controle da inflamação é importante para a saúde óssea, mas, quando existe indicação de tratamento específico para osteoporose, ele deve ser considerado juntamente com o tratamento da espondiloartrite.
Saúde óssea também precisa de cuidado próprio.
INFORMAÇÃO QUE ORIENTA DECISÕES
Quando procurar atendimento após uma queda ou trauma?
Quem vive com espondiloartrite axial deve estar atento principalmente a uma dor nova ou diferente do habitual nas costas ou no pescoço depois de uma queda, batida ou acidente, mesmo quando o trauma parece pequeno.
Em pessoas com coluna rígida ou fundida, é importante procurar atendimento no mesmo dia.
Formigamento, fraqueza, perda de sensibilidade nos braços ou pernas ou alteração do controle da urina ou das fezes são sinais de emergência e exigem atendimento imediato.
Dr. Murillo Dório
Leve estas perguntas para sua próxima consulta
Conhecer sua condição de saúde e esclarecer dúvidas com a equipe assistencial faz parte de uma jornada de cuidado mais segura.
INFORMAÇÃO BASEADA EM EVIDÊNCIAS
A osteoporose pode fazer parte da jornada de pessoas com espondiloartrites, mas os riscos e as necessidades de acompanhamento variam de pessoa para pessoa.
Compreender essa relação é importante para reconhecer fatores de risco, participar das decisões e construir uma jornada de cuidado mais consciente.
Na 2ª edição do Guia INAPE, você encontra o capítulo completo Espondiloartrites e Osteoporose, elaborado pelo reumatologista Dr. Murillo Dório.
O material apresenta explicações científicas aprofundadas, ilustrações educativas, particularidades do diagnóstico, informações sobre prevenção e tratamento e referências científicas para ampliar seu conhecimento.
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Conteúdo científico.
Baseado no capítulo Espondiloartrites e Osteoporose, elaborado pelo Dr. Murillo Dório para a 2ª edição do Guia INAPE das Pessoas com Espondiloartrites.

Sobre o especialista.
Dr. Murillo Dório, reumatologista assistente do Ambulatório de Espondiloartrites do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo. Membro da Comissão de Artrite Psoriásica da Sociedade Brasileira de Reumatologia. Doutorado e pós-doutorado pela Faculdade de Medicina da USP.

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Responsabilidade editorial.
Instituto Nacional de Apoio às Pessoas com Espondiloartrites, INAPE.
Este conteúdo tem caráter exclusivamente educativo e não substitui avaliação, diagnóstico ou orientação individualizada de profissionais de saúde.